O São Paulo arrancou um empate por 1 a 1 com o Bolívar nesta terça-feira (11), no Hernando Siles, em La Paz, pelo jogo de ida das oitavas de final da Copa Sul-Americana. Não perder nos 3.600 metros de altitude é, sim, um resultado a se valorizar, e deixa a classificação para ser decidida no Morumbis. Mas o roteiro, mais uma vez, foi o mesmo que persegue o Tricolor há semanas: primeiro tempo sólido, sem sofrer gol, vantagem construída, e um segundo tempo de queda, empate cedido e pressão até o fim.

O filme que se repete

O São Paulo abriu o placar aos 23 minutos do primeiro tempo, em cobrança de escanteio do estreante Iago na primeira trave e cabeçada certeira de Arboleda. Foi para o intervalo ganhando, na altitude, com o jogo controlado. Na etapa final, porém, o time recuou, o Bolívar dominou a posse e o empate veio aos 18 minutos: após a defesa afastar mal, Carlos Melgar pegou a sobra na meia-lua e acertou um belo chute. Bonito, sem dúvida, mas defensável: Rafael estava na bola, chegou a tocar nela antes de ela ainda resvalar na trave, e pecou por uma mão um tanto frouxa no lance. O goleiro, aliás, fez boa partida no restante do jogo, incluindo defesas importantes na blitz final, quando Melgar ainda acertou o travessão.

As estreias foram o ponto alto

Se tem algo para o torcedor levar de bom da noite, são os estreantes. O zagueiro português Domingos Duarte fez ótima partida, cortando a maioria dos cruzamentos e ataques do Bolívar; uma pena que, no lance do gol, seu corte tenha parado justamente na sobra de Melgar, sem ninguém para fechar a meia-lua. O lateral-esquerdo Iago, ex-Bahia, deu a assistência para o gol de Arboleda e foi bem até sair, já no fim, castigado pelo cansaço da altitude e pendurado com o cartão amarelo que recebeu. E Newton chamou atenção pela função: atuou como uma espécie de terceiro zagueiro, mostrando que Dorival tem no volante uma opção interessante para partidas que pedem essa proteção extra. Já Aurélio Buta, que entrou nos minutos finais no momento de maior pressão boliviana, teve pouco tempo para acrescentar: não somou, mas também não comprometeu.

Os pontos negativos

O outro lado da moeda tem nome e sobrenome. Pablo Maia fez péssima partida, e não é a primeira, nem a segunda: são muitos jogos seguidos de passes curtos de dois metros, domínios que escapam e viram contra-ataque do adversário. Contra o Bolívar, o roteiro se repetiu, e o volante ainda jogou os 90 minutos, sem ser sacado. Calleri esteve displicente: teve um contra-ataque em que bastava uma acelerada, aquele pique final para brigar pela jogada, e simplesmente não fez, parecendo jogar em marcha reduzida. Luciano foi bem no primeiro tempo, mas sumiu na etapa final junto com o time. Marcos Antônio fica no meio-termo: errou muitos passes, mas segue sendo o que mais tenta criar; teve uma chance clara, recebendo de Calleri dentro da área, e hesitou demais na hora de finalizar, chutando fraco em cima do goleiro. Falta a ele aprender a gostar de fazer gol, a querer bater para o gol sem pensar duas vezes.

No fim, fica a sensação de que o São Paulo podia ter até vencido: o Bolívar é um time limitado, que se apoia demais na altitude para crescer. O empate deixa tudo aberto para a volta, terça-feira que vem (18), no Morumbis, onde o Tricolor decide a vaga nas quartas com o apoio da torcida, e onde não vai ter desculpa de altitude para novo apagão no segundo tempo.

Ficha técnica

Bolívar 1×1 São Paulo
Copa Sul-Americana, oitavas de final (jogo de ida)
Data: terça-feira, 11 de agosto de 2026, às 21h30 (de Brasília)
Local: Estádio Hernando Siles, La Paz (Bolívia)

Gols: Arboleda, aos 23 minutos do 1º tempo (São Paulo); Carlos Melgar, aos 18 minutos do 2º tempo (Bolívar)

Bolívar: Lampe; José Sagredo (Batallini), Arreaga, Echeverría e Jesús Sagredo; Melgar, Robson Matheus (Billy Arce), Saavedra (Ervin Vaca) e Patito Rodríguez (Jhon Velásquez); Cauteruccio (Bruno Miranda) e Asprilla. Técnico: Alejandro Restrepo

São Paulo: Rafael; Lucas Ramon (Aurélio Buta, aos 37 do 2ºT), Domingos Duarte, Arboleda e Iago (Wendell, aos 15 do 2ºT); Newton, Pablo Maia, Bobadilla (Cauly, aos 37 do 2ºT) e Marcos Antônio (Danielzinho, aos 26 do 2ºT); Luciano (Ferreirinha, aos 26 do 2ºT) e Calleri. Técnico: Dorival Júnior

Cartões amarelos (São Paulo): Iago e Aurélio Buta

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O Autor

Ugo Marques Ferreira é administrador de empresas, consultor na área financeira e apaixonado por futebol. Casado, cristão e torcedor convicto do São Paulo Futebol Clube, une visão estratégica, disciplina analítica e paixão tricolor na construção do conteúdo do Tricolor em Foco.

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