O São Paulo anunciou nesta semana a renovação de contrato com Jonathan Calleri até dezembro de 2028, com opção de prorrogação até 2029. A notícia foi recebida com festa por boa parte da torcida, e é fácil entender o motivo: poucos estrangeiros amaram a camisa do Tricolor como o argentino. Mas é preciso separar duas coisas que andam juntas nesse anúncio: o que Calleri já construiu no clube, e o que ele vem entregando de fato nos últimos anos.
Uma história que ninguém discute
Os números de carreira impressionam e falam por si: 262 jogos, 91 gols, 30 assistências. Maior artilheiro estrangeiro do São Paulo no Brasileirão, maior artilheiro estrangeiro do MorumBIS, líder de gols do clube na Libertadores. Campeão da Copa do Brasil de 2023 e da Supercopa de 2024. Calleri é, sem exagero, um dos maiores ídolos estrangeiros da história recente do clube, e sua entrega dentro e fora de campo nunca foi questionada. Isso é fato, e deve ser celebrado.
Mas os números recentes contam outra história
O problema é que a construção desses números parou praticamente em 2023. Depois do auge em 2022, quando marcou 27 gols em 67 jogos, o rendimento despencou. Em 2024, Calleri viveu a pior média de gols por partida desde que chegou ao clube: 14 gols em 50 jogos, uma queda de produção alarmante para um camisa 9 de referência. Em 2025, foi ainda pior: apenas 3 gols em 18 partidas, um jejum que fez qualquer torcedor questionar se aquele Calleri decisivo ainda existia.
2026 começou como uma resposta, com o argentino voltando a marcar em ritmo melhor e assumindo a artilharia do time na temporada. Só que, mesmo nesse ano de recuperação, os indicadores mais finos preocupam: a nota média no SofaScore caiu de 6,96 na carreira pelo clube para 6,74 neste ano, e a eficiência em disputas de bola foi de 46% para 42%. E, no momento mais importante da temporada, veio o lance que resume o drama recente: o pênalti perdido na eliminação da Libertadores, no Morumbis, um gol decisivo que não saiu justamente quando o time mais precisava dele.
A pergunta que fica
Não dá para negar a importância histórica de Calleri, nem tratar sua renovação como um erro gratuito. Mas também não dá para fechar os olhos para o que os números mostram: um jogador que, desde 2023, alterna temporadas fracas com surtos de boa fase, e que segue perdendo gols decisivos nos momentos que mais pesam na conta. Renovar até 2028, com o atacante já com 32 anos e essa oscilação recente no currículo, é uma aposta que carrega risco. Que o Calleri de 2026 continue sendo a exceção boa da regra, e não a régua. O São Paulo, e o próprio ídolo, precisam disso.
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