Tinha clima de festa no ar antes da bola rolar. O retorno ao Morumbis depois de quase três meses trouxe imagens de torcida em peso já na chegada ao estádio, gente celebrando o simples fato de jogar em casa de novo. Só que o roteiro emocional dessa noite seguiu um caminho bem conhecido do torcedor tricolor: começou em festa, passou pela euforia do gol, e terminou em desabafo puro.

A véspera de expectativa

A tarde foi de resenha leve e planejamento de logística: quem ia de ônibus, quem já estava na fila, até relatos emocionados de quem levava o filho pela primeira vez ao Morumbis. Rolou piada com o novo terceiro uniforme, comparado a um pijama e a um manto que “ficaria melhor no Náutico”, e a clássica preocupação com o time: será que Dorival ia mesmo escalar o Pablo Maia?

O gol, a festa e o medo instantâneo

Quando Pablo Maia arriscou de fora da área e balançou a rede, a comemoração foi daquelas de arrepiar. “Golaço”, “monstro sagrado” e até comparação ao meio-campista Rodri, do Manchester City, pipocaram nos grupos. Mas antes mesmo do intervalo, o mesmo torcedor que comemorava já plantava a desconfiança: o medo de novo era o de sempre, fazer 1 a 0 e recuar, abrindo mão do controle da partida por puro receio da virada.

O segundo tempo, e o roteiro repetido

Não deu outra. Assim que a etapa final começou, o desabafo tomou conta: “começou o segundo tempo, São Paulo recuou”, resumiu um torcedor, quase em piloto automático. O gol de empate do Coritiba, em bola aérea mal marcada, foi recebido com bronca generalizada na zaga e no gol, e frases como “todo jogo é isso aí” e “segundo tempo entrega o jogo” se repetiram em mais de um grupo ao mesmo tempo, prova de que o problema já é unanimidade entre a torcida.

A ressaca: nove jogos e a sombra do Z-4

No apito final, a sensação era de time preso em um ciclo vicioso. “Nosso time é ruim demais”, “time muito fraco”, “parece macumba” foram só algumas das reações. A comparação a um time varzeano apareceu mais de uma vez, assim como o já batido apelido de “time do perde/empata”. Também surgiu a reclamação de arbitragem, com torcedores enxergando pênaltis não marcados a favor do Tricolor.

Mas o dado que resumiu a noite, repetido de forma quase idêntica em grupos diferentes, foi o mais direto: nove jogos sem vencer no Brasileirão, e a distância cada vez mais curta para a zona de rebaixamento. Entre memórias de títulos antigos contadas para os filhos e o desabafo puro depois do apito final, ficou a mesma sensação de sempre: o torcedor ama, sofre, e segue voltando ao Morumbis mesmo sem saber o que vai encontrar lá dentro.

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O Autor

Ugo Marques Ferreira é administrador de empresas, consultor na área financeira e apaixonado por futebol. Casado, cristão e torcedor convicto do São Paulo Futebol Clube, une visão estratégica, disciplina analítica e paixão tricolor na construção do conteúdo do Tricolor em Foco.

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