Há uma cena curiosa no Morumbis: quem mais fala em planejamento para 2027 é o treinador, justamente o que tem contrato só até 31 de dezembro. Enquanto isso, a diretoria que comanda o clube hoje segue sem candidato à eleição e sem sinalizar um rumo. Para esta coluna, esse é o retrato de um clube que adia o que não pode ser adiado.
O que se sabe
Depois da vitória por 1 a 0 sobre o Vasco, no sábado (17), Dorival Júnior disse que “hoje nós estamos com 11 jogadores sendo preparados”, em referência à base, segundo reportagem do UOL citada pelo SPFC.net. Segundo a imprensa, a comissão técnica também prepara um relatório de transição, independentemente de quem assumir o clube em janeiro. O treinador ainda afirmou que o próximo presidente não tem obrigação de renová-lo.
O contexto institucional é de espera. A eleição presidencial será na primeira quinzena de dezembro, a oposição inscreveu a chapa de Marcelo Portugal Gouvêa na terça-feira (13), e a situação ainda não apresentou nome.
O argumento
É legítimo que a decisão sobre o técnico fique com o novo presidente. O problema é deixar todo o resto parado junto. O elenco tem contratos que vencem no fim do ano, empréstimos que dificilmente serão convertidos em compra, como os de Artur e Cauly, e jogadores sem utilidade no grupo, como já discutimos aqui. Cada semana sem diretriz é uma semana em que o mercado de 2027 começa atrasado.
A base é o exemplo mais claro. Preparar 11 jovens só faz sentido se houver quem decida onde eles entram, quanto minutos recebem e como isso conversa com as contratações. Sem um projeto assinado pela diretoria, a aposta em Cotia vira discurso de entrevista coletiva, e não política de clube.
O que cobrar
Dentro de campo, o São Paulo tem 42 pontos, está na 8ª colocação e ainda sonha com a Libertadores, com o Mirassol pela frente no sábado (24), às 16h30. Fora dele, a torcida deveria cobrar duas coisas dos candidatos: um plano objetivo para o elenco de 2027 e um compromisso público com a formação de atletas. A situação, que ainda não tem nome para disputar, deveria começar por explicar o que pretende fazer com o time até dezembro.
Nada disso é acusação, é cobrança de gestão. Um clube do tamanho do São Paulo não pode terceirizar seu planejamento à comissão técnica e esperar que dê certo.
Esta é uma coluna de opinião e reflete o ponto de vista do autor. Com informações de SPFC.net, Gazeta Esportiva, UOL e Mix Vale.
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