Nesta quarta-feira (4), às 21h30, o São Paulo será mandante de um clássico contra o Corinthians sem pisar no próprio gramado. O jogo da 34ª rodada do Brasileirão será na Vila Belmiro, em Santos, porque o Morumbis recebeu três shows do BTS, em 28, 30 e 31 de outubro, e não teria tempo de recuperar o campo. Esta coluna defende que isso não é um detalhe logístico. É o retrato de um clube que trata o estádio como fonte de receita e esquece que ele também é o principal ativo esportivo do time.
Uma decisão que ninguém quis defender de frente
O clube pediu a mudança à CBF e a entidade confirmou o novo local em 13 de outubro. Alternativas na Grande São Paulo, como Pacaembu, Canindé e Brinco de Ouro, não tinham a tecnologia de impedimento semiautomático exigida na Série A. Ou seja, sobrou a casa do Santos. Tudo dentro das regras, e é exatamente por isso que a pergunta importa: quem aprovou um calendário de shows que deixava o gramado sem recuperação a quatro dias de um clássico?
Não há aqui acusação de má-fé. Show em estádio é receita legítima, e o São Paulo precisa dela. O problema é de prioridade. Quando o calendário de eventos é fechado sem que o departamento de futebol tenha peso real na decisão, o resultado aparece em campo, e o torcedor paga a conta sem ter sido consultado.
O time que precisava do Morumbis
O contexto agrava o caso. O São Paulo é o 10º colocado, com 43 pontos após a 33ª rodada, longe do G6 e sem risco real de rebaixamento. Em 2026, fez 29 jogos fora de casa, com 5 vitórias, 8 empates e 16 derrotas, e não vence como visitante desde abril, contra o Boston River, pela Sul-Americana. São 17 partidas seguidas sem triunfo longe do Morumbis. Um time com esse histórico deveria tratar cada jogo em casa como patrimônio, não como data disponível.
A Vila Belmiro não é território hostil, mas também não é casa. Não é o campo que os jogadores conhecem, não é a torcida acostumada ao ritmo do time e não é o ambiente que o clube construiu para dar vantagem ao mandante. Chamar isso de mando de campo é generoso.
Dorival também está na conta
Seria injusto jogar tudo na diretoria. Dorival Júnior, em 23 jogos desde que reassumiu, tem 7 vitórias, 7 empates e 9 derrotas e ainda não venceu um clássico nesta passagem. Se o time quer cobrar respeito pelo Morumbis, precisa entregar desempenho que justifique a cobrança. Uma vitória na Vila, diante de um Corinthians pressionado na parte de baixo da tabela, mudaria a conversa. Um tropeço dará munição a quem diz que o problema nunca foi o gramado.
O que a eleição precisa responder
A presidência será decidida em dezembro, entre Vinícius de Medeiros e Marcelinho, e antes disso os sócios ainda votam o Conselho Deliberativo na segunda quinzena de novembro. Há perguntas objetivas para os dois lados. Qual o intervalo mínimo entre um show e um jogo oficial? O futebol terá poder de veto no calendário do estádio? Os eventos do Morumbis serão divulgados com a tabela do Brasileirão na mesa, e não depois dela?
Quem não responder isso com números e regras está propondo mais do mesmo. O São Paulo não precisa escolher entre receita e competitividade, mas precisa de gente que entenda que um estádio emprestado em dia de clássico é um custo que não aparece no balanço e aparece no campo.
Esta é uma coluna de opinião e reflete o ponto de vista do autor, a partir de fatos publicados. Com informações de Gazeta Esportiva e O Tempo.
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