A eleição do São Paulo costuma girar em torno de nomes, grupos e alianças. Falta, no entanto, o debate que mais pesa no bolso do clube: o contrato com a Ticketmaster. Na minha opinião, quem quer comandar o Tricolor a partir de 1º de janeiro de 2027 deveria começar a campanha por ele.
O que está na mesa
Segundo a Tribuna de Jundiaí, o acordo movimenta R$ 140 milhões, dos quais R$ 110 milhões são um adiantamento que o clube precisa devolver em até cinco anos, com correção pelo CDI mais 1,99% ao ano. O pagamento sai das receitas do Morumbis, com teto de R$ 1,8 milhão por mês. Em contrapartida, a empresa administra a bilheteria e o programa de sócio-torcedor por cinco anos, conforme o DGABC.
Um processo com ressalvas
O Conselho aprovou o contrato por 184 votos a 44, com uma abstenção. A comissão de revisão formada pelo clube não encontrou indícios suficientes de fraude ou favorecimento deliberado, mas apontou “fragilidades” e “inconsistências” na condução do processo. Isso não é acusação de nada, e não faço nenhuma. Mas é um alerta que um sócio atento não pode ignorar.
O que eu cobraria dos dois lados
Vinícius de Medeiros representa o grupo que está no poder e precisa explicar por que o modelo era o melhor caminho. Marcelinho Portugal Gouvêa, da oposição, precisa dizer se manteria, renegociaria ou tentaria rever o acordo, e com quais custos. Nas reportagens que consultei, nenhum dos dois detalhou isso até agora.
A pergunta é concreta: com parte da receita do Morumbis comprometida por anos, como o clube vai pagar salários em dia, montar elenco e reforçar o time? O São Paulo é o 10º colocado do Brasileirão, com 44 pontos, e quem assumir terá de planejar 2027 com essa conta já em andamento.
Os sócios votam no Conselho ainda em novembro e escolhem o presidente em dezembro. Há tempo para exigir números, prazos e compromissos por escrito. Voto bom é voto informado.
Com informações de Tribuna de Jundiaí, DGABC e Gazeta Esportiva. Esta é uma coluna de opinião e expressa o ponto de vista do autor, baseado em fatos publicados pela imprensa.
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