O São Paulo deve entrar em campo contra o Grêmio, neste sábado, na Arena, com a seguinte escalação: Rafael; Lucas Ramon, Arboleda, Osório e Wendell; Pablo Maia, Danielzinho (Bobadilla), Marcos Antônio e Luciano; Artur e Calleri. No papel, é o time que Dorival Júnior tem à disposição. Na prática, é um retrato do tamanho do desafio que o Tricolor enfrenta para voltar a ser, de fato, o São Paulo.
Um elenco aquém da camisa
Dito isso, e aqui entra a opinião de quem escreve: é difícil olhar para essa escalação e não sentir uma certa inquietação. O São Paulo carrega uma história grandiosa, de Mundiais, Libertadores e gerações inteiras de craques, e não dá para se contentar facilmente com o nível médio que o elenco atual vem entregando.
E aqui vai um ponto que precisa ser dito com todas as letras: Arboleda, na visão de quem escreve, não tem mais moral para vestir a camisa do São Paulo. Em abril, o zagueiro simplesmente não se apresentou para o jogo contra o Cruzeiro, viajou ao Equador sem avisar o clube e ficou dias sem dar satisfação a dirigentes e companheiros, episódio que ficou conhecido como o “sumiço” e quase terminou em rescisão por justa causa. Some a isso o já batido episódio da foto vestindo a camisa do Palmeiras, maior rival do clube, e fica difícil enxergar em Arboleda o tipo de liderança que a braçadeira e a história do São Paulo exigem.
No ataque, o incômodo se repete
Calleri vive um momento de baixa produção, longe do artilheiro decisivo que o São Paulo precisa ter na área. Luciano também está longe do seu melhor futebol recente. Bobadilla, no meio-campo, é hoje um dos pontos mais frágeis do time, sem o repertório para sustentar a criação são-paulina em jogos de maior exigência.
Nem tudo é motivo de queixa: Marcos Antônio cumpre bem sua função de equilíbrio no meio-campo, e Artur vem sendo, disparado, um dos destaques da equipe, ganhando espaço com atuações consistentes.
O contraste com a história
Basta olhar para trás para entender o tamanho da distância. O São Paulo já teve um gigante entre as traves com Rogério Ceni, zagueiros como Oswaldo e Ronaldão que impunham respeito, um meio-campo com a criatividade de Raí e a categoria de Hernanes, e um ataque que passou por nomes como Careca, Müller, Luís Fabiano, Kaká e Denílson. São jogadores que não apenas jogaram bem, mas definiram épocas do futebol brasileiro.
Não se trata de exigir que o elenco atual reproduza feitos históricos do dia para a noite. Mas o torcedor tricolor tem o direito de esperar mais do que um time que oscila entre o mediano e o discreto, especialmente quando o escudo no peito carrega o peso que carrega.
O que fica da escalação
Dorival Júnior trabalha com o material que tem, e peças como Artur e Marcos Antônio mostram que existe, sim, entrega e comprometimento no grupo. Mas o desafio é maior do que vencer o próximo jogo: é reconstruir um time à altura da história do São Paulo, e essa provável escalação ainda deixa claro que esse caminho está apenas começando.
Este texto reflete uma opinião pessoal sobre o momento do elenco são-paulino.
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