Tem jogo do São Paulo que se assiste com o coração. E tem jogo que só se sobrevive com o bom humor ligado no talo. O 1 a 1 com o Bolívar, na altitude de La Paz pela ida das oitavas da Sul-Americana, foi claramente do segundo tipo. Acompanhamos a reação da torcida em tempo real e o resumo é este: entre a piada e o desabafo, o tricolor mais uma vez transformou sofrimento em resenha.
A véspera surreal: até a notícia quase deu certo
A noite começou com aquela que virou a piada do dia: a história do ônibus da empresa contratada pelo São Paulo na Bolívia, apreendido com dezenas de quilos de maconha. A reação foi imediata e escancarou o clima de deboche que só um torcedor sofrido entende: houve quem lamentasse, aos risos, que quase uma notícia da certo. A ironia deu o tom do que viria pela frente.
O gol relâmpago e o medo instantâneo
O São Paulo abriu o placar cedo, e a comemoração durou exatos poucos segundos. Logo veio o veredito que só a experiência traumática dá: fizemos gol muito cedo, e isso dá muito medo. Não deu outra. O torcedor já sabia o roteiro de cor, porque é o mesmo há semanas.
No meio do caminho, o alvo preferido virou o meio-campo. Cada toque errado de Pablo Maia, cada bola perdida por Bobadilla, cada arrancada de Marcos Antônio pela ponta rendeu comentário. A altitude, estimada em brincadeira como quatro mil metros, virou desculpa e piada ao mesmo tempo. E ninguém escapou: da falta mal cobrada por Luciano ao goleiro que, segundo a turma, chega sempre dois segundos depois, comparado com bom humor a um piloto atrasado no grid.
O segundo tempo e o velho fantasma
Aí veio a etapa final, e com ela o fantasma que assombra o Tricolor em toda partida recente: a incapacidade de segurar o resultado. O Bolívar empatou, e o desabafo foi coletivo. A comparação foi automática com o que aconteceu diante do Grêmio no fim de semana: abre o placar, recua, entrega o segundo tempo e vê o rival crescer. Todo segundo tempo o time entrega, resumiu um dos torcedores. Se não perder hoje é porque é impossível mesmo, completou outro, já em modo de resignação bem-humorada.
No fim, o empate foi recebido menos como decepção e mais como alívio. Se empatar é ouro, alguém tinha profetizado ainda no primeiro tempo. E foi.
A ressaca de quarta: e agora, onde vamos jogar?
A manhã seguinte trouxe a discussão que mais dói no bolso e no coração: a novela do estádio. Entre lamentos sobre o gramado alugado para shows e a antecipação de receita pela atual gestão, veio a ironia certeira de que o próximo presidente é quem vai herdar a conta. E a pergunta que resume o momento do clube fora de casa: afinal, onde o São Paulo vai jogar a volta? A resposta provisória, na Vila Belmiro, só reforçou a sensação de um gigante sem teto.
No balanço geral, ficou o de sempre: um time que preocupa, uma torcida que sofre e, ainda assim, não perde a piada. Porque no fim, rir para não chorar é o que o tricolor vem fazendo de melhor nesta temporada. A volta contra o Bolívar dirá se dá para sonhar com o Boca Juniors na próxima fase, ou se a saga vai continuar rendendo mais resenha do que alegria.
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