Passado o compromisso na altitude, as atenções do São Paulo se voltam de novo para o Campeonato Brasileiro. No sábado (15), o Tricolor recebe o Coritiba no Morumbis, pela 23ª rodada, em um daqueles jogos que carregam peso muito maior do que os três pontos: é a chance de quebrar uma sequência que já passou de incômoda para alarmante.

Os números que assustam

O São Paulo chega ao confronto com oito jogos sem vencer no Brasileirão, com três empates e cinco derrotas nessa série. E o recorte mais amplo é ainda pior: nos últimos 13 jogos do campeonato, o time conquistou uma única vitória. É um retrospecto que não condiz com o tamanho do clube e que explica a degringolada na tabela, da liderança no início do ano para a 12ª colocação, com o Z-4 a apenas um ponto de distância. Isso não pode acontecer com o São Paulo, e é exatamente essa chave que precisa ser virada no sábado.

A volta ao Morumbis, um fator que o clube desperdiça

O jogo marca também o reencontro com o Morumbis, e aqui cabe uma cobrança que vem desde a diretoria passada e segue valendo para a atual: o estádio tem sido mais alugado para shows do que reservado para jogos, um erro grotesco de planejamento. O próprio clube já admitiu publicamente o impacto disso no caixa, com longos períodos sem partidas em casa. Mas o prejuízo vai além do financeiro: o São Paulo abre mão do fator Morumbis justamente quando mais precisa dele. Já é um time frágil fora de casa; quando os mandos são deslocados para Bragança Paulista, Campinas ou até outros estados, o torcedor precisa viajar, o apoio diminui, o time joga em gramados e ambientes sem habitualidade, e o rendimento cai junto. E há o efeito silencioso: torcedor afastado não só pela má fase, mas por não ter o jogo na sua casa. É um ciclo que precisa ser interrompido, e o sábado é a oportunidade de mostrar por que jogar no Morumbis, com a torcida do lado, tem que ser prioridade.

O retrospecto ajuda

Pelo menos o histórico joga a favor. No primeiro turno, o São Paulo venceu o Coritiba por 1 a 0 no Couto Pereira, com gol de Cauly, ainda na fase boa do início de temporada. No retrospecto geral, o Tricolor tem ampla vantagem: são 24 vitórias são-paulinas contra 15 do Coxa em toda a história, com 18 empates, e o time paranaense não vence o São Paulo na capital paulista desde 2017. Jogando como mandante contra o Coritiba, o Tricolor perdeu pouquíssimas vezes na história do confronto.

Dois tempos consistentes, por favor

Mais do que o adversário, o São Paulo precisa vencer a si mesmo. A oscilação entre um primeiro tempo competente e um segundo tempo de apagão virou marca registrada das últimas semanas, contra Grêmio e Bolívar sem ir mais longe. Não dá para seguir jogando 45 minutos por partida. Sábado é dia de fazer um jogo completo, buscar os três pontos, dar um respiro na tabela e se afastar de vez da parte de baixo, até para chegar com confiança na decisão contra o Bolívar, na terça seguinte, no mesmo Morumbis. A virada de chave tem hora e lugar marcados. Falta o time comparecer.

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O Autor

Ugo Marques Ferreira é administrador de empresas, consultor na área financeira e apaixonado por futebol. Casado, cristão e torcedor convicto do São Paulo Futebol Clube, une visão estratégica, disciplina analítica e paixão tricolor na construção do conteúdo do Tricolor em Foco.

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