Os números não perdoam: o São Paulo venceu apenas 1 dos últimos 15 jogos na temporada, somando 8 empates e 6 derrotas nesse recorte. É uma sequência de time que deveria estar brigando contra o rebaixamento, não flertando com o meio de tabela por sorte alheia. E o mais grave: em boa parte desses jogos, o problema nem foi falta de criação, foi a incapacidade crônica de segurar resultado.
Os 15 jogos, um a um
- 0x0 Millonarios
- 2×2 Bahia
- 0x0 O’Higgins
- 2×3 Corinthians (Corinthians abriu o placar; São Paulo nunca esteve à frente)
- 1×3 Juventude (Juventude abriu o placar; São Paulo nunca esteve à frente)
- 1×2 Fluminense (Fluminense abriu 2×0; São Paulo só descontou no fim)
- 1×1 Millonarios
- 1×1 Botafogo — São Paulo abriu com Luciano aos 3′, Botafogo empatou aos 44’/2ºT
- 2×0 Boston River (única vitória do recorte)
- 0x1 Remo
- 1×2 Athletico-PR — São Paulo abriu com golaço de Artur aos 18′, Athletico virou com dois gols do Leozinho em 6 minutos no início do 2ºT
- 1×1 Flamengo
- 1×2 Grêmio — São Paulo abriu o placar nos acréscimos do 1ºT, Grêmio empatou logo no início do 2ºT e virou no fim, com gol de Pavón
- 1×1 Bolívar — São Paulo abriu com Arboleda aos 23’/1ºT, Bolívar empatou aos 18’/2ºT
- 1×1 Coritiba — São Paulo abriu com Pablo Maia aos 42’/1ºT, Coritiba empatou aos 11’/2ºT
Cinco jogos, o mesmo roteiro
Tirando o descarte contra times que nunca deixaram o São Paulo sair na frente (Corinthians, Juventude e Fluminense), sobram cinco confrontos em que o time literalmente teve a vantagem nas mãos e não soube administrar: Botafogo, Athletico-PR, Grêmio, Bolívar e Coritiba. Em três desses cinco, o São Paulo nem saiu com o empate, perdeu de virada. Não é falta de sorte, é um padrão que se repete jogo após jogo, sempre no mesmo cenário: abre o placar, recua, e vê o adversário crescer no segundo tempo.
O retrato de Dorival Júnior
Desses 15 jogos, Dorival Júnior comandou o time em 9, com 1 vitória, 5 empates e 3 derrotas. Ou seja: o próprio treinador contratado para estancar a sangria viveu, dentro desse recorte, quase a mesma proporção de resultados ruins que a gestão anterior. É um dado que precisa ser colocado na mesa sem melindre: a troca de comando, sozinha, não resolveu o problema estrutural do time.
A gordura que o Crespo deixou
E aqui vai um reconhecimento que muita gente evita fazer, mas que os números obrigam: o São Paulo só está confortável na tabela (falando relativamente, já que o Z-4 segue rondando) porque Hernán Crespo, antes de ser demitido em março, deixou uma baita gordura acumulada. Na saída dele, o time estava na 2ª colocação do Brasileirão, com 10 dos 12 pontos possíveis, um começo de campanha quase impecável.
Foi esse colchão de pontos construído lá atrás que vem segurando o São Paulo longe de uma crise ainda mais grave ao longo dessa sequência de 15 jogos com uma vitória só. Sem aquele início de temporada, o time provavelmente já estaria dentro da zona de rebaixamento, e não apenas rondando ela. Então sim: por pior que tenha sido o desfecho da passagem de Crespo, o legado numérico que ele deixou é, hoje, o principal fiador da permanência do São Paulo na Série A. Fica o agradecimento, mesmo que amargo, e o alerta: essa gordura não é infinita, e está sendo consumida rodada após rodada.
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