É confortável jogar toda a culpa da crise nos jogadores e no técnico. Mas seria ingenuidade, ou pior, desonestidade, isentar a diretoria do São Paulo do momento vexatório que o clube atravessa. O que se vê em campo é reflexo direto de decisões de gestão tomadas, e mal tomadas, ao longo de toda a temporada.
Um planejamento que nunca existiu de verdade
O São Paulo trocou de treinador três vezes nesta temporada. Demitiu Hernán Crespo quando o time liderava o campeonato, contratou e depois se desfez de Roger Machado em pouco mais de dois meses, e agora vê Dorival Júnior repetir índices de aproveitamento que também não convencem. Não existe projeto técnico que sobreviva a esse nível de instabilidade institucional. A culpa não é só de quem está no gramado, é de quem decide, errado, repetidas vezes, quem comanda o time do lado de fora.
Dívidas que corroem o presente
Enquanto o time patina em campo, o clube segue afundado em pendências financeiras, dívidas com empresários, negociações travadas por falta de caixa e risco real de sanções, como o transfer ban que já bateu à porta em outra frente nesta temporada. Um clube que não consegue equacionar as próprias contas dificilmente vai conseguir montar, sustentar e blindar um elenco competitivo por muito tempo. A raiz do problema esportivo passa, inevitavelmente, pela mesma sala onde se discutem os números do balanço.
O torcedor merece mais do que desculpas
É fácil colocar a braçadeira num jogador e cobrar postura. Mais difícil, e mais necessário, é cobrar de quem administra o clube um planejamento minimamente sério, que não troque de rumo a cada três meses e que resolva, de uma vez, o cipoal financeiro que sufoca o São Paulo há anos. Enquanto isso não acontecer, seguiremos vendo capítulos como o vexame contra a Chapecoense se repetirem, e a culpa nunca será só de quem está em campo.
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