É confortável jogar toda a culpa da crise nos jogadores e no técnico. Mas seria ingenuidade, ou pior, desonestidade, isentar a diretoria do São Paulo do momento vexatório que o clube atravessa. O que se vê em campo é reflexo direto de decisões de gestão tomadas, e mal tomadas, ao longo de toda a temporada.

Um planejamento que nunca existiu de verdade

O São Paulo trocou de treinador três vezes nesta temporada. Demitiu Hernán Crespo quando o time liderava o campeonato, contratou e depois se desfez de Roger Machado em pouco mais de dois meses, e agora vê Dorival Júnior repetir índices de aproveitamento que também não convencem. Não existe projeto técnico que sobreviva a esse nível de instabilidade institucional. A culpa não é só de quem está no gramado, é de quem decide, errado, repetidas vezes, quem comanda o time do lado de fora.

Dívidas que corroem o presente

Enquanto o time patina em campo, o clube segue afundado em pendências financeiras, dívidas com empresários, negociações travadas por falta de caixa e risco real de sanções, como o transfer ban que já bateu à porta em outra frente nesta temporada. Um clube que não consegue equacionar as próprias contas dificilmente vai conseguir montar, sustentar e blindar um elenco competitivo por muito tempo. A raiz do problema esportivo passa, inevitavelmente, pela mesma sala onde se discutem os números do balanço.

O torcedor merece mais do que desculpas

É fácil colocar a braçadeira num jogador e cobrar postura. Mais difícil, e mais necessário, é cobrar de quem administra o clube um planejamento minimamente sério, que não troque de rumo a cada três meses e que resolva, de uma vez, o cipoal financeiro que sufoca o São Paulo há anos. Enquanto isso não acontecer, seguiremos vendo capítulos como o vexame contra a Chapecoense se repetirem, e a culpa nunca será só de quem está em campo.

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O Autor

Ugo Marques Ferreira é administrador de empresas, consultor na área financeira e apaixonado por futebol. Casado, cristão e torcedor convicto do São Paulo Futebol Clube, une visão estratégica, disciplina analítica e paixão tricolor na construção do conteúdo do Tricolor em Foco.

Com formação em gestão e experiência em análise empresarial, Ugo traz para o universo esportivo uma leitura que vai além da emoção do jogo. Seu olhar combina organização tática, interpretação de dados e compreensão de cenário, sempre com responsabilidade e coerência.

No blog, sua proposta é clara: oferecer conteúdo com profundidade, critério e identidade. Para ele, torcer é essencial, mas entender o contexto, a estratégia e a gestão do clube é o que fortalece a cultura tricolor.

Fé, família e futebol são pilares que orientam sua caminhada pessoal e profissional. No Tricolor em Foco, esses valores se traduzem em compromisso com informação séria, análise consistente e respeito ao torcedor.