A crise institucional do São Paulo ganhou mais um capítulo pesado. A Comissão de Ética e Disciplina do Conselho Deliberativo recomendou, por unanimidade, a expulsão do ex-presidente Julio Casares do quadro associativo do clube.
O que motivou a decisão
O relatório final, assinado pelos cinco integrantes da comissão, apontou a prática de condutas caracterizadas como gestão irregular ou temerária durante o período em que Casares esteve à frente do clube, entre 2021 e janeiro de 2026. Entre os pontos analisados estão movimentações financeiras de valores expressivos sem documentação suficiente para comprovar origem, finalidade e destinação, incluindo cerca de R$ 7 milhões em saques relacionados ao exercício de 2025 cuja documentação não permitia rastrear adequadamente os recursos.
O cartão corporativo sob a lupa
A comissão também fundamentou a recomendação em gastos realizados com o cartão corporativo do clube para fins pessoais, incluindo compras em lojas de grife, restaurantes e casas de charutos. Uma reportagem anterior já havia revelado que Casares gastou mais de R$ 1 milhão no cartão durante sua gestão, com direito a 71 idas a uma mesma casa de charutos.
Ressarcimento e próximos passos
Além da expulsão, a comissão determinou que Casares ressarça integralmente o São Paulo pelos valores comprovadamente utilizados para fins particulares, indevidos ou sem comprovação de finalidade institucional. O montante exato ainda será calculado pelo Departamento Financeiro, com validação do Conselho Fiscal. A decisão da comissão, porém, não é definitiva: agora, cabe ao Conselho Deliberativo votar a aprovação ou não do parecer para que a expulsão se efetive.
Um processo que já se arrasta há meses
Casares sofreu impeachment e renunciou à presidência antes mesmo da conclusão do processo, mas não conseguiu escapar da apuração: o Estatuto do clube impede que um associado se retire do quadro social enquanto responde a um processo disciplinar. O ex-dirigente também não compareceu à audiência em que poderia apresentar sua defesa. Vale lembrar que o próprio relatório da Comissão de Ética ressalva que a decisão está restrita à esfera ética e disciplinar do São Paulo, e não representa qualquer antecipação de conclusão em eventuais investigações civis ou criminais, incluindo apurações da Polícia Civil e do Ministério Público sobre suposta lavagem de dinheiro envolvendo o ex-presidente.
Com informações de Lance!, Poder360, Gazeta Esportiva e Portal Leo Dias.
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