O São Paulo reconheceu uma dívida de R$ 2,1 milhões com a Gutierre Filmes, produtora responsável pelo conteúdo das plataformas digitais do clube, como os bastidores da SPFC Play e os vídeos de anúncio de renovações, caso do de Calleri, em agosto. A empresa é parceira desde 2017 e tinha contrato até o fim deste ano. Para renovar, a diretoria renegociou o débito, e o novo vínculo vai até 31 de dezembro de 2029.
O acordo
- 33% da dívida (R$ 693 mil): pagos com duas contrapartidas, o uso do Morumbis para um evento corporativo e um título de sócio do clube social
- R$ 1,4 milhão: parcelado em 39 vezes, até o fim do contrato, em 2029
- Custo mensal: redução de 44% no valor do contrato
O lado bom
É justo reconhecer o que há de positivo. Reconhecer a dívida em vez de empurrá-la, parcelar e cortar quase metade do custo mensal é melhor do que o calote ou a briga na Justiça. Se o clube precisa de conteúdo, a conta agora pesa menos.
O lado que preocupa
Pagar parte de uma dívida com o estádio e com um título de sócio mostra o aperto do caixa. O São Paulo, que já atrasou salários em carteira e acumula meses de atraso em direitos de imagem, está trocando dinheiro por patrimônio e benefícios. E 39 parcelas só terminam junto com o contrato, ou seja, o clube vai carregar essa conta por mais de três anos.
Há ainda a questão do momento. A eleição presidencial está marcada para a primeira quinzena de dezembro e vai definir o comando do clube de 2027 a 2029, exatamente o período que o novo contrato cobre. Uma gestão interina, em fim de mandato, fecha um acordo que vai até o último dia de 2029. Pode ser uma boa negociação, mas a pergunta é legítima: por que a pressa, e por que não deixar a renovação para quem vai administrar de fato?
O que o sócio deveria saber
Qual será o valor mensal depois do desconto? Houve concorrência ou cotação com outras produtoras? Quanto o clube gasta, ao todo, com conteúdo audiovisual? Em um ano em que a dívida chegou perto de R$ 1 bilhão, cada contrato longo precisa ser explicado ao torcedor, e as respostas deveriam vir antes da eleição, e não depois.
Dados da Gazeta Esportiva. Este texto é uma coluna de opinião.
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