Quando o treinador de um clube com a história do São Paulo diz publicamente que nenhum dos três gramados do centro de treinamento está em condições de uso, o assunto deixa de ser detalhe de bastidor. Para esta coluna, é um problema de gestão que não pode ficar na fila da eleição de dezembro.
O que Dorival disse
Após a vitória por 2 a 1 sobre o Vitória, em 10 de outubro, Dorival Júnior afirmou que o clube tem três campos e que nenhum deles está em condições, segundo a Gazeta Esportiva. A comissão técnica, disse, está improvisando para manter os treinos. Ele descreveu pisos muito duros em alguns pontos e muito molhados em outros, o que prejudica aceleração e frenagem, e relacionou parte das lesões a esse cenário. Também chamou o período de “um dos trabalhos mais complicados” da carreira.
O argumento
Cabe cautela: o técnico estabeleceu uma relação, e não há laudo público ligando cada lesão ao gramado. Mas o fato de que Ferreirinha e Luciano sofreram problemas musculares logo depois da parada para a Data Fifa, e de que Lucas Moura só agora ganha minutos, mostra o custo de ter atletas indisponíveis em uma reta final de campeonato. Com 42 pontos e a 9ª colocação, o São Paulo não luta por título nem contra o rebaixamento, e justamente por isso deveria usar o momento para corrigir o que é estrutural.
O que incomoda é o silêncio. Nas fontes consultadas, não há manifestação oficial do clube sobre as críticas, nem informação sobre obras, prazos ou investimento. Gramado se recupera em semanas, não em anos. Esperar o resultado da eleição e a troca de gestão é aceitar mais um ciclo de treinos improvisados.
O que se espera
A diretoria atual tem tempo e responsabilidade para apresentar um cronograma, mesmo que parcial. Os candidatos à eleição, a Chapa 1 de Marcelo Portugal Gouvêa e quem a situação ainda vai indicar, também deveriam dizer o que farão com o CT. Torcedor aceita derrota; o que cansa é ver o óbvio ser empurrado para depois.
Esta é uma coluna de opinião e reflete o ponto de vista do autor. Com informações de Gazeta Esportiva e A Crítica de Campo Grande.
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