Dorival Júnior foi contratado em maio de 2026 com um vínculo que termina em 31 de dezembro, porque a gestão de Harry Massis também acaba no fim do ano. Para esta coluna, o problema não é o prazo curto em si, mas o silêncio que o acompanha: a menos de dois meses do fim do contrato, ninguém no clube diz se o treinador tem futuro ou não.

Um técnico que pergunta se é querido

Em outubro, depois da derrota para o Santos no Morumbis, o próprio Dorival colocou a questão em termos simples: segundo a Gazeta Esportiva, ele afirmou que o clube precisa saber se deseja continuar com ele. Quando o treinador precisa perguntar isso em entrevista coletiva, algo falhou na comunicação interna.

O trabalho aparece, a conversa não

O time soma 42 pontos em 31 jogos, ocupa a 9ª colocação e venceu o Vasco por 1 a 0 no sábado (17). Não é campanha de brilho, e as 12 vitórias não escondem a diferença entre casa e fora. Mas Dorival também aposta em jovens da base, que ele diz preparar para 2027, e deu espaço a nomes como Pedro Lima na lateral direita. Mérito ou não, isso exige continuidade, e continuidade exige um projeto que ninguém apresentou.

Enquanto isso, a campanha eleitoral já usa o treinador como moeda: o candidato da oposição, Marcelo Portugal Gouvêa, condicionou uma eventual renovação à adaptação de Dorival ao projeto esportivo do grupo. É um direito de quem disputa a eleição, mas transforma o dia a dia do vestiário em assunto de palanque.

O que a gestão deveria fazer

Não se pede que a atual diretoria renove por impulso, nem que comprometa o próximo presidente. Pede-se algo mais modesto: uma posição clara. Se Dorival fica até o fim do contrato e sai, que se diga. Se há intenção de seguir com ele, que se combine com os candidatos um caminho para a decisão não ficar para a última semana de dezembro, quando o mercado já terá andado sem o São Paulo.

O Tricolor visita o Mirassol neste sábado (24), às 16h30, e depois enfrenta Bahia e Corinthians. Atletas que jogam sem saber quem vai comandá-los em 2027 merecem, no mínimo, previsibilidade. Esperar a eleição para decidir tudo é cômodo para a gestão e caro para o clube.

Esta é uma coluna de opinião e reflete o ponto de vista do autor. Com informações de Gazeta Esportiva, Tribuna de Jundiaí e saopaulofc.net.

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O Autor

Ugo Marques Ferreira é administrador de empresas, consultor na área financeira e apaixonado por futebol. Casado, cristão e torcedor convicto do São Paulo Futebol Clube, une visão estratégica, disciplina analítica e paixão tricolor na construção do conteúdo do Tricolor em Foco.

Com formação em gestão e experiência em análise empresarial, Ugo traz para o universo esportivo uma leitura que vai além da emoção do jogo. Seu olhar combina organização tática, interpretação de dados e compreensão de cenário, sempre com responsabilidade e coerência.

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