O contrato com a Ticketmaster é, por si só, um bom negócio de gestão de ingressos e de sócio-torcedor. O que incomoda, nesta coluna, é a pressa com que o dinheiro entra e o pouco que se explica sobre a conta que fica para depois.
O que está na mesa
Segundo a Gazeta Esportiva, o Conselho Deliberativo aprovou o acordo por 184 votos a 44. Há uma antecipação de R$ 110 milhões, liberada 45 dias após a assinatura e paga em cinco anos com juros de CDI mais 1,99%, além de cerca de R$ 30 milhões pelo uso de um camarote. A própria reportagem descreve o arranjo como “uma espécie de empréstimo”. Na sexta-feira (23), a Justiça negou a liminar da Feng, que tentava barrar o contrato, mas o caso não está encerrado.
O problema é o destino do dinheiro
De acordo com a Gazeta, o clube pretende usar a antecipação para pagar o elenco e outras obrigações de curto prazo, e parte do dinheiro do camarote já foi usada para quitar uma das parcelas atrasadas de direitos de imagem. Ou seja, receita futura de cinco anos está sendo trocada por alívio imediato de despesas correntes. Em qualquer casa, isso se chama rolar a dívida.
Há ainda o repasse de até R$ 1,8 milhão por mês, que vale mesmo nos meses de pouca renda no estádio. É uma obrigação fixa que o próximo presidente herdará, e herdará justamente a partir de janeiro de 2027.
O que a torcida deveria cobrar
A gestão de Harry Massis termina neste ano, e a eleição está prevista para a primeira quinzena de dezembro. Um contrato dessa dimensão, assinado no apagar das luzes, deveria vir acompanhado de um quadro claro: quanto vai para dívidas atrasadas, quanto vai para folha e quanto sobra para investir em elenco e estrutura. Sem isso, o torcedor aprova o fôlego, mas não sabe se está comprando tempo ou apenas adiando o problema.
Os candidatos também deveriam ser cobrados. Quem quiser presidir o clube precisa dizer se vai honrar o contrato, como pretende gerar receita para não depender de nova antecipação e o que fará com a Feng, que ainda pode levar o caso adiante. Dinheiro de adiantamento não é título nem projeto: é o que permite chegar ao próximo mês.
Esta é uma coluna de opinião e expressa o ponto de vista do autor. Com informações da Gazeta Esportiva.
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