O capítulo mais duro da crise política do São Paulo chegou ao fim nesta quinta-feira (10). O Conselho Deliberativo aprovou, por ampla maioria, a expulsão do ex-presidente Julio Casares do quadro associativo do clube.
Uma votação avassaladora
A votação, realizada de forma online entre as 22h de quarta-feira (9) e as 17h desta quinta, teve 224 votos favoráveis à exclusão, apenas dois contrários e cinco abstenções. Como a expulsão de um associado exige dois terços dos votos do Conselho, hoje composto por 255 conselheiros, o resultado deixou pouquíssima margem de dúvida sobre o desfecho.
O que levou à decisão
A votação seguiu a recomendação da Comissão de Ética e Disciplina do clube, que havia sugerido a expulsão por unanimidade, enquadrando Casares em dispositivo do estatuto relacionado a gestão temerária ou irregular durante sua passagem à frente do São Paulo, entre 2021 e janeiro deste ano. Entre os pontos analisados estavam cerca de R$ 7 milhões em saques das contas do clube sem documentação que permitisse comprovar adequadamente origem, finalidade e destinação dos recursos, além de gastos no cartão corporativo.
A defesa de Casares
O ex-presidente afirma que os recursos questionados foram utilizados em despesas relacionadas ao futebol do clube, e sua defesa classificou o processo como abusivo, alegando cerceamento de defesa. Casares havia tentado, em julho, comunicar seu desligamento voluntário do quadro associativo, mas a Comissão de Ética entendeu que o estatuto não permite esse tipo de saída enquanto um processo disciplinar que pode resultar em expulsão está em andamento.
Um legado que também tem títulos
Julio Casares presidiu o São Paulo entre janeiro de 2021 e janeiro de 2026, período em que o clube conquistou a Copa do Brasil, o Campeonato Paulista e a Supercopa Rei. Mesmo com o histórico de títulos, o desfecho político de sua gestão marca um dos capítulos mais duros da história recente do clube, com o ex-dirigente agora também investigado pela Polícia Civil e pelo Ministério Público pelos mesmos indícios que embasaram a expulsão interna.
Um capítulo que ainda pode ter continuidade
Além da expulsão em si, o parecer da Comissão de Ética recomenda que Casares ressarça o São Paulo pelos valores comprovadamente utilizados para fins particulares, um montante que ainda depende de apuração do Departamento Financeiro e validação do Conselho Fiscal. A decisão consolida um momento de forte movimentação política interna, às vésperas da disputa eleitoral marcada para dezembro.
Com informações de Gazeta Esportiva, ArqTricolor, Bolavip Brasil e Tricolor na Web.
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