Às vezes é preciso parar e juntar as peças para entender o tamanho do descaso. O São Paulo de 2026 não é só um time inconsistente em campo. É um clube cujos próprios dirigentes parecem não entender, ou não se importar, com o tamanho da instituição que administram.

Um ano de trocas e instabilidade

Foram três técnicos diferentes até aqui: Hernán Crespo, demitido enquanto o time liderava o Brasileirão; Roger Machado, que durou pouco mais de dois meses; e agora Dorival Júnior, tentando reconstruir algo em meio ao caos. O time chegou a ocupar a 13ª colocação do campeonato nesta temporada, um contraste gritante com a liderança do início do ano. E cada uma dessas trocas de comando aconteceu em meio a decisões questionáveis da própria diretoria, não por acaso do destino.

A crise que não fica só no campo

Fora de campo, a lista de vexames se acumula: um ex-presidente expulso por gestão irregular e sob investigação criminal por lavagem de dinheiro; uma reforma de estatuto rejeitada; uma eleição em dezembro que já vira palco de disputa suja de bastidores; e, agora, o auge do descaso, o atraso no pagamento de salário em carteira, o tipo de coisa que simplesmente não deveria acontecer num clube desse porte.

O torcedor cansado de ser o único comprometido

E enquanto isso, quem sustenta o clube? O torcedor. Quem lota o Morumbis mesmo depois de goleadas humilhantes. Quem compra o ingresso, a camisa, o plano de sócio. Quem carrega a bandeira em cada rodada, mesmo sabendo que, por trás dos bastidores, um grupo de dirigentes trata o clube como palco de disputa pessoal, sem o menor pudor de deixar o elenco na mão.

Isso precisa mudar

Não dá mais para tratar cada um desses episódios como fato isolado. Juntos, eles formam um retrato só: o de uma gestão que perdeu o rumo, que prioriza guerra interna acima do bem-estar do elenco e da torcida. O São Paulo é grande demais, tem história demais, para ser tratado dessa forma por quem deveria protegê-lo. Fica o desabafo de quem só quer ver o clube sendo administrado com a seriedade que ele merece, e que, por enquanto, simplesmente não está recebendo.

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O Autor

Ugo Marques Ferreira é administrador de empresas, consultor na área financeira e apaixonado por futebol. Casado, cristão e torcedor convicto do São Paulo Futebol Clube, une visão estratégica, disciplina analítica e paixão tricolor na construção do conteúdo do Tricolor em Foco.

Com formação em gestão e experiência em análise empresarial, Ugo traz para o universo esportivo uma leitura que vai além da emoção do jogo. Seu olhar combina organização tática, interpretação de dados e compreensão de cenário, sempre com responsabilidade e coerência.

No blog, sua proposta é clara: oferecer conteúdo com profundidade, critério e identidade. Para ele, torcer é essencial, mas entender o contexto, a estratégia e a gestão do clube é o que fortalece a cultura tricolor.

Fé, família e futebol são pilares que orientam sua caminhada pessoal e profissional. No Tricolor em Foco, esses valores se traduzem em compromisso com informação séria, análise consistente e respeito ao torcedor.