Nesta sexta-feira (11), o São Paulo finalmente depositou parte dos salários que deveriam ter caído na conta dos jogadores no dia 8. Mas antes de qualquer alívio, é preciso dizer com todas as letras: isso nunca deveria ter acontecido, e o problema está longe de resolvido.

Um pagamento incompleto e tardio

Foram pagos 71 atletas, entre o profissional da Barra Funda e a base de Cotia, priorizando jovens e salários menores. É óbvio que ajudar quem ganha menos primeiro faz sentido humano, mas isso não muda o fato de que o clube simplesmente não cumpriu o prazo legal de pagamento pela primeira vez em anos. O valor desembolsado nesse primeiro lote, segundo apuração, foi inferior a R$ 1 milhão, uma fração pequena diante do tamanho da folha salarial do elenco profissional. Parte considerável dos jogadores mais experientes, com salários mais altos, segue sem receber.

O gesto que envergonha a diretoria

E aqui está o detalhe mais revoltante de toda essa história: enquanto a diretoria não resolve o problema, foram os próprios jogadores, Rafael, Luciano e Calleri à frente, quem tiveram que tirar dinheiro do próprio bolso para ajudar companheiros a pagar aluguel e contas básicas. Pense nisso: atletas profissionais bancando uns aos outros porque o clube que eles defendem em campo não consegue, ou não quer, cumprir sua obrigação mais básica.

Direitos de imagem: três meses e contando

Para completar o quadro, os direitos de imagem seguem acumulando atraso, entre dois e quatro meses dependendo do contrato de cada jogador, com o próximo vencimento previsto para 28 de setembro, data em que a defasagem deve chegar a quatro meses para vários atletas. Ou seja, mesmo com esse pagamento parcial de salários, o São Paulo segue devendo, e devendo muito, ao elenco que sustenta a equipe dentro de campo.

Isso não pode virar normal

O torcedor não pode naturalizar isso. Um clube do tamanho do São Paulo não pode tratar o pagamento de salário como favor, como gesto pontual de boa vontade quando a pressão aumenta. É obrigação básica. E enquanto a gestão atual continuar tratando isso como detalhe secundário em meio a suas disputas internas, quem paga o preço, literal e simbolicamente, são os jogadores, e por tabela, o torcedor que só quer ver o time em paz para jogar futebol.

Com informações de Rádio Itatiaia, ArqTricolor, VAVEL Brasil e Torcedores.com.

Deixe um comentário

O Autor

Ugo Marques Ferreira é administrador de empresas, consultor na área financeira e apaixonado por futebol. Casado, cristão e torcedor convicto do São Paulo Futebol Clube, une visão estratégica, disciplina analítica e paixão tricolor na construção do conteúdo do Tricolor em Foco.

Com formação em gestão e experiência em análise empresarial, Ugo traz para o universo esportivo uma leitura que vai além da emoção do jogo. Seu olhar combina organização tática, interpretação de dados e compreensão de cenário, sempre com responsabilidade e coerência.

No blog, sua proposta é clara: oferecer conteúdo com profundidade, critério e identidade. Para ele, torcer é essencial, mas entender o contexto, a estratégia e a gestão do clube é o que fortalece a cultura tricolor.

Fé, família e futebol são pilares que orientam sua caminhada pessoal e profissional. No Tricolor em Foco, esses valores se traduzem em compromisso com informação séria, análise consistente e respeito ao torcedor.