Depois da vitória sobre o Vitória, Dorival Júnior disse o que a torcida suspeitava e a diretoria preferia não ouvir: os três campos do Centro de Treinamentos da Barra Funda estão sem condição de uso, e a comissão técnica improvisa para conseguir treinar.

O que o treinador disse

Segundo Dorival, o clube tem os mesmos três campos de sempre, mas nenhum em condições. Um piso está duro demais, outro molhado demais, e os jogadores perdem aceleração e frenagem, o que, na avaliação dele, está provocando lesões. Ele também afirmou que sabia que enfrentaria dificuldades, mas não imaginava a dimensão delas, e resumiu o momento como um dos trabalhos mais complicados da carreira.

A conta chegou na enfermaria

Dois jogos depois da pausa da data Fifa, o São Paulo perdeu Luciano e Ferreirinha por problemas musculares. Buta e Domingos Duarte estão fora da temporada por lesões no joelho. Danielzinho, Rafael e Iago também passaram pelo departamento médico nas últimas semanas. Não dá para provar que cada lesão veio do gramado, e o treinador fala em opinião, não em laudo. Mas dá para dizer que um time com essa lista de baixas e três campos ruins merece uma explicação.

Gramado ruim é só mais um sintoma

O mesmo clube que chegou perto de R$ 1 bilhão em dívidas, atrasou salários em carteira pela primeira vez e acumula meses de atraso em direitos de imagem agora descobre que o básico, o lugar onde o time treina, está abandonado. O Conselho aprovou o contrato com a Ticketmaster, de R$ 140 milhões, com R$ 110 milhões antecipados e R$ 30 milhões do camarote. Antes de qualquer projeto de arena ou de entretenimento, um clube de futebol precisa de grama, de piso e de estrutura para o atleta trabalhar.

Quem responde por isso

O São Paulo é comandado por um presidente interino desde janeiro e caminha para uma eleição na primeira quinzena de dezembro. Quem quer o voto do sócio precisa responder a perguntas simples: quando foi a última intervenção nos gramados do CT, quanto foi investido e qual é o plano para resolver o problema antes que mais jogadores se machuquem. A palavra do técnico, dita em entrevista depois de uma vitória apertada, não pode ficar sem resposta.

A cobrança por resultados é legítima, e Dorival também precisa entregar mais. Só que ninguém consegue fazer bom futebol em casa que está desabando.

As declarações do treinador foram dadas na entrevista coletiva após São Paulo 2 x 1 Vitória e divulgadas pela Gazeta Esportiva. Este texto é uma coluna de opinião.

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O Autor

Ugo Marques Ferreira é administrador de empresas, consultor na área financeira e apaixonado por futebol. Casado, cristão e torcedor convicto do São Paulo Futebol Clube, une visão estratégica, disciplina analítica e paixão tricolor na construção do conteúdo do Tricolor em Foco.

Com formação em gestão e experiência em análise empresarial, Ugo traz para o universo esportivo uma leitura que vai além da emoção do jogo. Seu olhar combina organização tática, interpretação de dados e compreensão de cenário, sempre com responsabilidade e coerência.

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