Dois laterais com contratos longos, treinando longe do grupo, sem previsão de volta e sem perspectiva de saída. Esse é o retrato de Cédric Soares e Enzo Díaz no São Paulo, e mais uma prova de que o planejamento do elenco foi tratado com a mesma displicência de outras áreas do clube.

Os fatos

Cédric Soares, português, tem contrato até o fim de 2027. Está afastado do elenco principal desde junho e não joga desde 16 de maio, quando entrou nos minutos finais na derrota por 2 a 1 para o Fluminense, no Maracanã. Em 2026 disputou 16 jogos, nove como titular, sem gol nem assistência. Em 60 partidas pelo clube, deu três passes para gol.

Enzo Díaz, argentino, tem vínculo até dezembro de 2028. Chegou a jogar três vezes sob Dorival Júnior antes da pausa para a Copa do Mundo e, depois dela, foi afastado. O estafe do jogador teria se incomodado com atrasos nos direitos de imagem, enquanto o clube alega queda de rendimento nos treinos. Ele recebeu proposta do Racing, que não avançou, e hoje se prepara na Argentina. O último jogo foi em 31 de maio, na derrota por 1 a 0 para o Remo.

O clube tentou rescindir com os dois, mas as conversas travaram em meados de setembro, e não há nova rodada marcada. Segundo a apuração da Gazeta Esportiva, as situações podem ficar para depois da eleição presidencial.

O problema não é só esportivo

Não sabemos quanto cada um recebe, mas sabemos o contexto: dívida perto de R$ 1 bilhão, salários em carteira atrasados pela primeira vez e meses de atraso em direitos de imagem. Manter dois atletas com contratos até 2027 e 2028 fora de campo, sem retorno técnico, num clube que atrasa o que deve aos jogadores que estão jogando, é uma conta que não fecha. E a briga com o estafe de Enzo sobre direitos de imagem mostra que o atraso na ponta já virou problema de relacionamento com o elenco.

Cédric e Enzo, de um lado, e Luan, que acabou de rescindir depois de ficar meses fora, de outro, formam um padrão: jogadores contratados ou mantidos sem projeto claro, que acabam escanteados enquanto o clube empurra a decisão.

Quem decide

Adiar tudo para depois da eleição é conveniente para quem está no comando, mas custa dinheiro a cada mês. Quem quer comandar o São Paulo em 2027 precisa dizer, antes de pedir voto, o que pretende fazer com contratos assim: rescindir, negociar, emprestar ou reintegrar. O sócio tem o direito de saber.

Dados da Gazeta Esportiva. Este texto é uma coluna de opinião.

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O Autor

Ugo Marques Ferreira é administrador de empresas, consultor na área financeira e apaixonado por futebol. Casado, cristão e torcedor convicto do São Paulo Futebol Clube, une visão estratégica, disciplina analítica e paixão tricolor na construção do conteúdo do Tricolor em Foco.

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